UX/UI case: Recruta Elas
- 18 de mai. de 2023
- 17 min de leitura
Atualizado: 16 de jun. de 2024
Estudo de caso com foco em auxiliar tech recruiters na busca de talentos femininos para garantir mais diversidade e inclusão no setor de TI

Em 2022, durante quatro meses, realizei uma formação em Design de Experiência do Usuário e Design de Interface (UX/UI Design) ministrada pela Cubos Academy. De forma geral, o curso é baseado no aprendizado por meio do desenvolvimento de um projeto real vinculado à temática de um desafio proposto pelos professores — ou seja, todo conhecimento passado pelos docentes é colocado em prática durante a resolução de um problema factual.
Posto isso, neste artigo vou contar como a minha equipe, formada por 5 integrantes, solucionou o desafio recebido com base em uma metodologia que englobou a estruturação e execução de UX research, estudo de persona, canvas de proposta de valor, protótipos de baixa e alta fidelidade e, para concluir, aplicação de um teste de usabilidade.
O desafio | Nosso tema
Fomos encarregadas de desenvolver uma solução com o objetivo de resolver a seguinte questão: Como trazer mais diversidade e inclusão para o mercado de tecnologia?
Metodologia aplicada | Double Diamond
Para o desenvolvimento do projeto trabalhamos com a metodologia Double Diamond (Duplo Diamante) que, em síntese, inicialmente foca em explorar um problema (ou uma oportunidade de melhoria) de forma mais ampla e, somente depois, converge o pensamento da equipe envolvida em ações mais pontuais.
Podemos dizer que o Double Diamond é implementado, principalmente, como uma ferramenta de Design Thinking — o objetivo da sua aplicação é sempre alcançar uma solução centrada no usuário.
Na prática, essa metodologia é forma por 4 etapas distintas:
Descobrir.
Definir.
Desenvolver.
Entregar.

Ferramentas utilizadas
O projeto foi sustentado no Miro e, no decorrer de cada fase do Double Diamond, foram utilizadas diversas ferramentas como por exemplo: Google Meet para realização de entrevistas e Figma para criação de protótipos.

Primeira etapa | Descobrir
Essa etapa foi realiza com a execução das seguintes ferramentas e métodos:
Desk Research
Matriz CSD
UX Research | Pesquisa com usuários
Desk Research
Como ponto de partida para compreender a temática do desafio “diversidade e inclusão no mercado de tecnologia”, realizamos uma pesquisa secundária (também nomeada como Desk Research). Essa etapa é muito importante para qualquer projeto, pois é o momento onde devemos coletar, analisar e filtrar as melhores informações vinculadas ao problema que queremos resolver.
Com base nisso, nosso projeto focou em reunir dados de fontes confiáveis que contemplaram principalmente: aspectos gerais do mercado de tecnologia, perfil profissional, glossário de termos, benefícios da diversidade e inclusão, cases reais, materiais para recursos humanos e dados demográficos.
Como destaque foram identificadas as seguintes informações:
“Apenas 20% das vagas de tecnologia e inovação são ocupadas por mulheres.” IBGE
“Inclusão e diversidade são uma fonte de vantagem competitiva e, mais especificamente, uma alavanca essencial de crescimento.” McKinsey & Company — A diversidade como alavanca de performance
“Faltam talentos para as vagas de tecnologia.”
“O RH é a área que lidera mais de 56% dos projetos de Diversidade, Equidade e Inclusão já iniciados pelas organizações, onde 98% das pessoas reafirma a relevância do tema.” Gupy — O que é ser um RH do futuro?
“As mulheres não estão bem representadas na maioria das funções onde há crescimento” Global Gender Gap Report 2021
Após perfazer uma análise profunda do conjunto de informações coletadas, foi realizado um processo identificado como “recorte do tema”, ou seja, nesse momento delimitamos o viés a partir do qual nosso projeto foi direcionado, com objetivo de otimizar a solução final tendo em vista um público mais específico.
Delimitação — Recorte do tema
Sustentado pela desk research, o projeto balizou seu trabalho em: como auxiliar tech recruiters a incluírem mais mulheres no mercado de tecnologia?
Matriz CSD
Depois de realizar delimitação do tema que destaca a carência de mulheres no setor de tecnologia, foi construída uma Matriz CSD. É através dessa ferramenta que reunimos as principais Certezas (C), Suposições (S) e Dúvidas (D) acerca do problema.

Baseado na construção da Matriz CSD, partimos para a segmentação e agrupamento dessas informações através de um Mapa Relacional — ferramenta onde identificamos quais métodos de pesquisa se adequavam mais para solucionar suposições e dúvidas sobre o tema.
UX Research | Pesquisa com usuários
Em síntese, podemos dizer que essa etapa (UX Research) envolve a investigação das necessidades, dores, ações e tudo que está vinculado ao comportamento dos usuários — com objetivo de otimizar e direcionar melhor as decisões no processo de ideação da experiência do usuário, propriamente dita dentro de um serviço.
Nesse sentido, nosso projeto trabalhou com dois métodos de pesquisa:
Pesquisa Quantitativa
Pesquisa Qualitativa
Nos dois casos, a base para a estruturação das pesquisas partiu da identificação do nosso público-alvo. No momento, optamos por focar nos profissionais de Recursos Humanos (RH) que atuam como recrutadores especializados para o mercado de tecnologia, também conhecidos como tech recruiters.
Pesquisa Quantitativa
O âmago desse método de pesquisa é coletar dados em larga escala, por isso, geralmente costuma ser realizada em formato de formulário.
No projeto em questão, elaboramos um formulário na plataforma do Google Forms. Antes de colocar o formulário no ar, nossa equipe fez a seleção das melhores perguntas e executou testes internos para garantir o bom funcionamento do formulário.
Nosso objetivo com essa pesquisa foi:
Conhecer o perfil dos recrutadores e das empresas.
Entender como a diversidade e inclusão de mulheres é abordada.
Compreender como é o processo de recrutamento das empresas.
O formulário circulou em redes sociais, principalmente no Linkedin. No fim, foi possível coletar 61 respostas de tech recruiters de vários Estados brasileiros. Os principais dados apurados foram os seguintes:
O público que respondeu o questionário foi massivamente formado por mulheres (85,2%) de 18 a 31 anos (72,1%).
Grande parte dos recrutadores afirmaram utilizar algum sistema digital para recrutamento e seleção na empresa (77%) — Sistemas mais utilizados: Linkedin Recruiter (52,9%) e Gupy (47,1%).
Com relação ao tamanho e localização das empresas onde os tech recruiters atuavam: a maioria das empresas possuía de 100 a 999 colaboradores (37,7%) e estavam situadas, sobretudo, na região Sudeste (55,7%) e Sul (29,5%) do país.
Focando em projeto voltado para diversidade e inclusão, somente 49,2% das empresas tinham algum projeto dentro dessa problemática.
A partir do cruzamento de vários dados relacionados, evidenciou-se que empresas com poucas mulheres em cargos de tecnologia tendem a não ter programas voltados para a inclusão.

Pesquisa Qualitativa
Nesse método de pesquisa, o objetivo é mais focado em entender profundamente o comportamento das pessoas — diferente da pesquisa quantitativa que buscar alavancar uma grande quantidade de dados pontuais sobre o público envolvido.
Sendo assim, para a nossa pesquisa qualitativa foram convidados tech recruiters que já haviam respondido o formulário, pois foi através dele que conseguimos o contato e a segurança para garantir adesão dos participantes.
Na hora de convidar as pessoas selecionadas para serem participantes da pesquisa, é sempre importante elaborar uma abordagem apropriada. No nosso caso, visamos explorar uma comunicação simples e direta, sempre mencionando o termo “bate-papo” em vez de falar entrevista ou pesquisa — isso ajuda muito a transmitir tranquilidade aos participantes.
Nosso objetivo com essa pesquisa foi:
Entender como recrutadores e empresas do mercado da tecnologia tratam questões de diversidade e inclusão de mulheres.
Compreender os processos de recrutamento dentro das empresas.
Conhecer os desafios e formas para a contratação de mulheres.

Todas as entrevistas foram enriquecedoras para o projeto. Destacamos aqui alguns insights importantes identificados, como por exemplo:
Entendimento sobre Diversidade e Inclusão (D&I):
“A diversidade é muito importante para a empresa.”
“A diversidade é importante para a formação da cultura da empresa.”
“Ainda está muito enraizado que o mundo da tecnologia é voltado mais para homens.”
Como é trabalhado D&I dentro da empresa:
“Temos palestras voltadas para Diversidade e Inclusão.”
“Estou buscando estratégias voltadas para o recrutamento de mulheres.”
O que descobrimos com essas pesquisas?
Foi através dessas pesquisas que conseguimos: conhecer melhor o universo dos tech recruiters e compreender o cenário das empresas em que eles atuam. Além disso, foi possível detectar as principais dores desse público-alvo, que entraram como atributos-chave para o desenvolvimento do projeto. Os maiores desafios (dores) verificados foram:
Os tech recruiters possuem dificuldade de encontrar talentos femininos para incluir no mercado de tecnologia.
Os tech recruiters sentem falta de ter um ambiente onde possam divulgar vagas que alcancem mais mulheres.
Segunda etapa | Definir
Essa etapa foca em convergir as informações e alinhamentos realizados durante o processo de descoberta. Ressalta-se que os projetos de UX são sempre centrados no usuário, ou seja, essa etapa é voltada para o conhecimento aprofundado do perfil da pessoa beneficiária envolvida no projeto. Para executar esse ciclo foram utilizadas, principalmente, as seguintes ferramentas:
Mapa de Empatia
Persona
Canvas de Proposta de Valor
Mapa de empatia
Fundamentado na convergência das pesquisas (quantitativa e qualitativa), refinamos e enfatizamos o objetivo central do projeto como: resolver as dores dos tech recruiters que querem incluir mais mulheres no mercado de tecnologia.
O primeiro passo para alcançar o nosso objetivo foi desenvolver uma ferramenta visual conhecida como mapa de empatia, que permite explorar melhor a personalidade dos clientes — nesse caso, os tech recruiters.
O mapa de empatia é estruturado a partir de perguntas que fornecem detalhes sobre a personalidade do público-alvo. Para completar essa ferramenta a equipe discutiu e identificou as dores e necessidades dos tech recruiters, sempre colocando em evidência o que foi encontrado na etapa anterior (descoberta).
Para trazer mais empatia para o processo, essa ferramenta foca em delimitar um usuário apenas, por isso, foi dado um nome para esse usuário (tech recruiter) e todas as informações inseridas no mapa (canvas — ferramenta) foram escritas em primeira pessoa.

Persona
Após arquitetar o mapa de empatia e levando em consideração o padrão de comportamento, dores e necessidades identificadas, desenvolveu-se a persona do projeto, que é a representação fictícia de um cliente ideal.
Observa-se que toda persona deve ser articula como um atributo em constância evolução e mudança. Sendo assim, é necessário sempre rever se o serviço oferecido está compactuando com o perfil do cliente transcrito como persona — e se for vital para o sucesso do serviço, deve-se atualizar a persona definida.
A persona do projeto em questão foi moldada sendo: tech recruiter de 29 anos, do gênero feminino e moradora de São Paulo. Essas informações refletem bastante o que foi encontrado nas pesquisas da etapa 1. Segue abaixo imagem da persona resumida:

Canvas de Proposta de Valor
Considerando uma visão ampla do usuário (pessoa beneficiária) que o mapa de empatia e a persona fornecem, é possível partir para a elaboração do Canvas de Proposta de Valor, que facilita o desenvolvimento de serviços focados nas necessidades evidentes e nos pontos mais valorizados dentro do cenário de cada cliente.
A aplicação completa dessa ferramenta é fundamental para a identificação do “encaixe entre serviço e mercado”, esse atributo é também conhecido pela expressão fit de mercado, que serve para demonstrar quando o serviço ofertado por uma empresa é realmente compatível com as demandas dos clientes e do mercado.
Seguindo isso, o Canvas de Proposta de Valor foi elaborado como parte da ideação para definir o serviço que seria criado no projeto, com objetivo de entregar um valor real para as pessoas beneficiárias (usuários). De forma prática, observa-se que essa ferramenta trabalha com dois cenários:
Perfil do Cliente (lado direito): devemos iniciar o preenchimento do canvas nessa área. Itens englobados: tarefas, ganhos e dores atribuídas a um determinado segmento de cliente (nesse caso os usuários tech recruiters).
Proposta de valor (lado esquerdo): deve-se completar levando em consideração o perfil do cliente completo. Os itens contemplados são os criadores de ganho, analgésicos e os produtos e serviços. Todos eles devem estar conectados com o lado direito para garantir o fit de mercado.
Segue abaixo imagem do Canvas de Proposta de Valor criado no projeto:

A execução dessa ferramenta vinculada a outros métodos de ideação, resultou no seguinte serviço com potencial de fit de mercado:
O que?
Plataforma digital para gestão de vagas exclusivas para diversidade e inclusão de mulheres no mercado de tecnologia.
Para quem?
Tech recruiters que querem trazer mais diversidade e inclusão de mulheres para o mercado de tecnologia.
Serviço x Cliente - Por que?
Acabar ou diminuir as principais dores dos tech recruiters:
Dificuldade de encontrar talentos femininos
Não ter um ambiente exclusivo para divulgar vagas para mulheres.
Não ter um banco de talentos voltado para mulheres.
Terceira etapa | Desenvolver
Nessa etapa aplicamos principalmente os métodos e ferramentas abaixo:
Benchmarking — Análise de concorrentes
Priorização
Task flow e User flow
Wireframes
Benchmarking — Análise de Concorrentes
Nesse momento foi realizada uma pesquisa para buscar empresas que oferecem serviços similares e/ou com potencial para ser concorrente da solução definida para o projeto.
Esse método é conhecido com benchmarking e foca em analisar empresas do mesmo ramo que o seu negócio. Essa análise serve para encontrar boas práticas já estabelecidas como modelo de referência e, além disso, depois de compreender o que as outras empresas possuem de atributos, é a base para explorar o diferencial do seu serviço.
Salienta-se que a execução dessa análise de concorrentes é fundamental para a criação de um serviço diferenciado, mas também pactuado dentro do cenário (mapa mental) que o cliente já conhece.
No determinado projeto, os principais pontos analisados nos concorrentes foram:
Identidade Visual
Tom voz
Funcionalidades
Fluxos de uso

Priorização
Tendo em conta o tempo de execução e as funcionalidades essenciais que a plataforma digital para gestão de vagas deveria possuir, foi criada uma Matriz MOSCOW para identificação das prioridades do projeto — isto significa, que por meio da utilização dessa matriz a equipe conseguiu acordar as features (funcionalidades) com mais valor para o cliente e, por isso, são fundamentais estarem no protótipo.

Para esclarecer melhor, o protótipo é uma visão simplificada do produto final, com objetivo de testar a viabilidade técnica do serviço. Atentado a isso, o projeto em questão criou um protótipo de alta qualidade para aplicar um teste de usabilidade com usuários reais e, por fim, colher feedbacks de melhoria para o serviço.
Task flow e User flow
Para alavancar a estruturação do protótipo do serviço em questão, foram gerados fluxogramas que, de forma geral, mapeiam e apresentam visualmente os caminhos possíveis para a execução de tarefas dentro do sistema (plataforma de gestão de vagas).
Inicialmente, foi desenvolvido um Task Flow (fluxo de tarefas), que é um fluxograma simplificado e linear (sem nenhum ramificação) de um conjunto de passos que uma pessoa usuária precisa realizar para completar uma tarefa. Esse fluxo é importante porque permite um entendimento amplo de todas as funcionalidades necessárias na plataforma até chegar no objetivo final da pessoa usuária.

Para completar, elaborou-se o User Flow (fluxo da pessoa usuária) que é um fluxograma mais intrincado, pois apresenta o conjunto completo de caminhos que a pessoa usuária precisa executar dentro da interface para finalizar uma tarefa dentro do serviço — tratando-se do determinado projeto, podemos dizer que seria dentro da plataforma de gestão de vagas. Durante a criação do User Flow, é essencial olhar para a experiência da pessoa usuária através da perspectiva do serviço.
No projeto delineado, para facilitar o desenvolvimento do protótipo devido ao tempo estipulado, os dois fluxogramas (Task Flow e User Flow) foram desenhados com base no Golden Path, que é reconhecido como o “caminho feliz” pelo qual o usuário deve passar para realizar uma ação dentro da plataforma de gestão de vagas.
De forma mais simples, esse caminho feliz é a principal jornada que contempla um conjunto de etapas essenciais para a pessoa usuária encontrar valor no serviço em questão.
Colocando em foco os tech recruiters como as pessoas usuárias do protótipo do projeto, o Golden Path foi baseado em dois caminhos:
Caminho 1: fazer cadastro na plataforma.
Caminho 2: cadastrar e publicar uma vaga.

Wireframes — Protótipo de baixa fidelidade
Logo depois da estruturação dos fluxogramas, foram criados wireframes para compor o protótipo de baixa fidelidade. Explicando de forma rápida, wireframes de baixa fidelidade são representações menos complexas (baseados em uma elaboração mais rápida) da interface de um produto ou serviço, com objetivo de validar a hierarquia das informações e o fluxo de navegação principal com o time ou partes interessadas no projeto.
No projeto contestado, salienta-se que para a criação dos wireframes foi utilizado o software Figma, que é um editor gráfico voltado para prototipagem. Ao todo foram criadas 24 telas de baixa fidelidade que foram validadas pelos atores envolvidos, e isso possibilitou o projeto prosseguir para a próximo etapa.

Quarta etapa | Entregar
Nesse etapa, os principais entregáveis do projeto foram:
Marca do serviço - Recruta Elas
Style Guide
Protótipo navegável de alta fidelidade (desktop)
Teste de Usabilidade - Execução e análise
Marca do Serviço — Recruta Elas
Como parte importante da proposta de valor e vinculada à interface do serviço, foi desenvolvida uma marca para a plataforma de gestão com objetivo de criar conexão com a persona estabelecida e transmitir os atributos chaves do serviço.
Para criação da marca foram trabalhados alguns pontos pensando em Branding (gestão estratégica de marcas) e UX writing (modelo de escrita focada na experiência da pessoa usuária), como por exemplo: definição de naming, slogan, identidade visual e tom de voz.
Nessa etapa, foram recordados atributos analisados no benchmarking de concorrentes e também foi realizada uma pesquisa com relação ao nome que seria dado à marca.
Síntese do processo de criação de marca:
Objetivo: criar uma marca para uma plataforma digital de gestão de vagas exclusivas para diversidade e inclusão (D&I) de mulheres no mercado de tecnologia.
Público-alvo: tech recruiters que querem trazer mais D&I de mulheres para o setor de TI.

Resultado — nome da marca criada: Recruta Elas.
Descrição do Serviço: o Recruta Elas é uma plataforma com recursos acessíveis e simples que vai ajudar recrutadores a encontrarem mulheres para ocuparem mais vagas na área de tecnologia, trazendo inclusão e diversidade para o setor de TI.
Proposta de Valor: Incluindo mais elas na tecnologia. Cadastre sua empresa e recrute mais mulheres agora!
Principais atributos (funcionalidades) do serviço:
Otimização no processo de cadastro de vagas para mulheres.
Busca facilitada por meio de um banco de talentos, com filtros para a seleção de candidatas e agenda de entrevistas.
Automatização no fluxo de divulgação de vagas em redes sociais e envio de feedbacks para candidatas.
Visão ampla de gestão através de dashboard de acompanhamento.
Identidade Visual
O símbolo da marca é composto por duas chaves { } que são elementos utilizados em diversas linguagens de códigos de programação — base da tecnologia.
O traço de coração presente dentro do símbolo serve para transmitir inclusão e diversidade.
As cores principais da marca são: tons de azul, rosa e roxo. O azul está diretamente ligado à tecnologia. O degradê (gradiente) formado pelo rosa e roxo sustentam o conceito de diversidade.
As imagens utilizadas em toda a interface da plataforma deixam em evidência a mulher como o foco — trazendo diversidade por meio de fotos com mulheres de grupos minorizados.

Tom de voz da marca
A escolha do tom de voz é muito importante, pois é através dele que o planejamento de comunicação e vendas deve ser baseado. Sendo assim, o Recruta Elas definiu que as ações de marketing seriam sempre inclusivas e com linguagem neutra. De forma geral, o tom de voz foi estabelecido como:
Inclusivo
Caloroso
Empático
Style Guide

Após a estruturação da marca “Recruta Elas”, o determinado projeto procedeu para a criação da interface do protótipo. Assim sendo, foi desenvolvido um Style Guide para ser utilizado como base padrão para todo sistema.
Em resumo, um Style Guide é um Guia de Estilo focado em: assentar um padrão visual com objetivo de tornar consistente a experiência da pessoa usuária. Olhando-se a partir da visão técnica dos designers, o guia de estilo serve para gerar e ter em mãos para aplicação todos os componentes necessários para a interface — além de otimizar o processo de adaptação do serviço para outros devices, como por exemplo: tablets ou smartphones.
Foi elaborado um guia de estilo mais simples (devido ao tempo do curso) e os seus principais entregáveis foram:
Marca gráfica
Tipografia institucional
Paleta cromática
Grids
Principais componentes da interface
Iconografia e imagens conceituas
Protótipo navegável de alta fidelidade

Com o guia de estilo estruturado e validado pela equipe, iniciou-se o desenvolvimento do entregável mais tangível do projeto: o protótipo navegável de alta fidelidade.
Embasado no desenho dos wireframes, esse protótipo foi criado com foco na versão web/desktop, pois foi acordado que seria a melhor opção para teste, levando em consideração que os recrutadores utilizam principalmente o computador na sua rotina diária de trabalho. No entanto, reconhece-se que para a execução de um futuro MVP, é essencial desenvolver a plataforma em uma versão compatível com dispositivos mobile.
Observa-se que em virtude do prazo para entrega do projeto, determinadas páginas não foram elaboradas e algumas funcionalidades ainda não possibilitam interação (não são clicáveis). Porém, destaca-se que de forma essencial, o trabalho da equipe contemplou o Golden Path, cujo propósito era baseado em dois caminhos: fazer cadastro na plataforma e publicar uma vaga.
Nesta lógica, fica claro que nesse primeiro momento, o protótipo navegável foi pensando para os tech recruiters, ou seja, o projeto contemplou apenas a primeira parte da plataforma, pois realmente focou nas necessidades dessas pessoas usuárias e aplicou o teste de usabilidade com pessoas desse perfil.
Conseguinte, percebe-se que assim como a versão mobile, o cenário das candidatas (segunda persona do serviço) também é percebido como um ponto fundamental de desenvolvimento futuro. Esse cenário seria estruturado com base em pesquisas e entrevistas com mulheres que estão buscando por oportunidades de emprego — e seguiria o mesmo fluxo de desenvolvimento pensando em vincular com as telas já criadas para tech recruiters.
Funcionalidades disponíveis no protótipo — baseado no dois caminhos do Golden Path:
Realizar cadastro e login na plataforma.
Visualização da dashboard principal para finalizar cadastro do perfil.
Cadastrar e publicar uma vaga.
Teste de Usabilidade | Execução e análise
No projeto em foco, aplicou-se um teste de usabilidade não moderado (de forma remota). Salienta-se que esse tipo de teste apresenta diversas vantagens, como por exemplo: poder de escalabilidade na operação, custo de aplicação reduzido e o fator de permitir manter o participante do teste em seu ambiente natural (com devido conforto).
Observa-se que o teste remoto foi realizado através de uma plataforma online chamada Maze — sistema que fornece recursos simples para a construção de testes rápidos e eficientes.
O roteiro do teste foi estruturado com base em três tarefas direcionadas para a pessoa usuária executar e uma escala de opinião para compreender como foi a experiência dos determinados usuários com a solução/protótipo.
Roteiro de aplicação do teste:
Tarefa 1: criar conta na plataforma
Tarefa 2: fazer login na plataforma
Tarefa 3: criar e compartilhar uma vaga
Escala de Opinião
Dados — Resultados do teste de usabilidade:




Teste de usabilidade | Análise dos resultados e melhorias necessárias
Além de executar um bom teste, é essencial realizar a investigação dos resultados encontrados, ou seja, compilar todos os dados obtidos e traduzir os números em indicadores de performance ou ações de melhoria para o serviço. Nesse sentido, prontamente a finalização do período de aplicação do teste remoto, a equipe do projeto fez um estudo aprofundado de seus resultados e definiu alguns pontos para serem aperfeiçoados para o próximo protótipo ou futuro MVP. Segue abaixo o resumo das análises:
Tarefa 1: criar conta na plataforma
Seguindo os indicadores fornecidos pela ferramenta de mapa de calor (presente na plataforma Maze), identificou-se que essa foi a tarefa com pior aproveitamento. Ressalta-se que o mapa de calor é uma técnica de visualização, que permite entender os principais movimentos realizados pelos participantes dentro da interface. Com base na evidência desses movimentos, a equipe conseguiu compreender que as pessoas usuárias ficaram confusas na tela 3 — sendo essa, a principal culpada pela evasão dos participantes no teste.

Ainda na tela 3, percebeu-se que a barreira para o avanço dos participantes estava na dos textos dos radio buttons. De forma mais simples, pode-se dizer que o problema estava na descrição das duas opções que as pessoas usuárias teriam que escolher para realizar o cadastro na plataforma — sendo elas:

Melhoria realizada:
Com objetivo de solucionar essa questão, a equipe trabalhou melhor a parte de UX Writing do sistema e, como resultado, optou por alterar os textos dos botões. Essa mudança busca evidenciar qual a ação principal que a pessoa usuária vai executar dentro da plataforma — deixando mais simples a escolha entre as opções.

Tarefa 2: fazer login na plataforma
Verificando-se novamente os mapas de calor gerados pelo Maze, foi possível perceber que a terafa 2 (fazer login da plataforma e depois concluir o cadastro) também apresentou um desempenho ruim. A tela que os participantes do teste tiveram mais dificuldade e dúvidas de como proceder foi a tela 6.

Melhoria realizada:
Ao analisar melhor a tela 6, constatou-se também que a média de tempo dos usuários nessa tela foi alta e isso, provavelmente, foi efeito do requisito que colocamos no cadastro: era obrigatório adicionar uma foto. No entanto, isso não ficou claro para os participantes do teste e, de forma intuitiva, eles partiam para o preenchimento de informações gerais como: nome da empresa, país e cidade — pulavam a parte da foto. Sendo assim, como ação de melhoria a equipe optou por retirar a obrigatoriedade da inclusão de foto/imagem de perfil.
Tarefa 3: criar e compartilhar uma vaga
Verificou-se que a terceira tarefa obteve um resultado ótimo, ou seja, todos os participantes conseguiram criar e compartilhar uma vaga sem dificuldades — essa tarefa teve uma nota total de 91.7% pelo Maze.

Escala de Opinião
Ao analisar as respostas da escala de opinião, a equipe concluiu que o protótipo estava condizente com o seu objetivo e 64% dos participantes indicaram que tiveram uma experiência muito boa. 😃
Conclusão do projeto
Concluiu-se que o Recruta Ela é uma plataforma exequível, com um propósito alinhado ao desafio proposto pelo curso. Com base na problemática da necessidade de trazer mais mulheres para o mercado de tecnologia, evidencia-se que a plataforma desenvolvida promete auxiliar mulheres que buscam entrar no setor de TI, bem como, apresenta o foco de ajudar tech recruiters no processo de busca e seleção desses talentos femininos.
De forma geral, a elaboração do projeto demonstrou o quanto é importante explorar e aprofundar um problema, pois é somente através de um estudo completo que conseguimos entender um novo cenário, fora do contexto que vivemos, e ter empatia com as pessoas envolvidas nas determinadas problemáticas.
É importante lembrar que durante o projeto foi necessário interagir com diversas pessoas e, ficou claro, que as soft skills (habilidades comportamentais) são essenciais para o desenvolvimento de um bom projeto.
Por fim, é considerável pontuar que a construção desse projeto mostra como seguir uma metodologia centrada no usuário é fundamental, porque é com base nela que conseguimos ter um direcionamento para ações e processos necessários para garantir uma solução altamente preocupada com a boa experiência das pessoas beneficiárias.💛
Integrantes da equipe: Sinara Farias, Ana Raupp, Natália Gonsalves, Rhayza Avelino e Viviane Ambrosio.
Professores: Gabriela Ozório e Wesley Simões.
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